Um dos assuntos mais importantes e que causa dezenas de milhares de mortes todos os anos, a contaminação cruzada preocupa organizações mundiais, como a ONU e a OMS. O impacto causado pela gigante leva de alimentos contaminados por vírus, bactérias, parasitas, toxinas e produtos químicos acarreta a morte de mais de 400 mil pessoas no mundo, além de sobrecarregar sistemas de saúde, comércio e turismo. A ONU considera que em cada etapa da cadeia alimentar deve ser levada em consideração a segurança alimentar, desde a produção até o consumo.

Como a contaminação pode ocorrer?

A contaminação cruzada pode ocorrer diretamente ou indiretamente, sendo ela necessariamente ligada a falta de higiene de utensílios utilizados na manipulação dos alimentos ou até mesmo pela contaminação de um alimento através de outro.

 Entende-se como contaminação cruzada direta quando um alimento contaminado por algum tipo de microrganismo patogênico entra em contato com um alimento “saudável”, logo, todos os alimentos armazenados no mesmo recipiente estarão infectados. A contaminação indireta ocorre quando há má higienização de utensílios de cozinha para alimentos crus e cozidos, assim como falta de higienização das mãos de quem os manipula.

De acordo com a OMS, cerca de 25 % de todos os surtos causados pelas doenças transmitidas por alimentos (TDAs) estão relacionados à contaminação cruzada dos alimentos, seja por falta de higienização das mãos, infecção de equipamentos ou utensílios e conservação inadequada de alimentos. Apesar de eventos trágicos como estes, há maneiras de evitar que ocorra o contágio por esses transmissores.

As principais agências responsáveis pelo controle de segurança alimentar no Brasil, hoje, são o Ministério da Saúde, por meio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPAs). Assim como instauração de normas e da realização de fiscalizações, esses órgãos estabelecem diretrizes para auxiliar na prevenção da contaminação cruzada.

Como prevenir?

Algumas das principais boas práticas para prevenir a contaminação cruzada incluem formas seguras de preparar os alimentos, de acordo com a  RDC 216/2004 da ANVISA. Para assegurar uma boa preparação de alimentos deve-se usar critérios rigorosos de avaliação ao selecionar fornecedores de matérias-primas, ingredientes e embalagens.

Os insumos devem ser transportados e recebidos em condições adequadas de higiene e conservação, passando por inspeções ao entrarem no local de estocagem. Devem ser notadas as condições das embalagens e a validade dos elementos. É preciso ter cautela para que neste processo algum insumo não acabe contaminando produtos já preparados.

O local de estocagem de ingredientes e embalagens deve ser limpo e organizado, sendo identificados corretamente, respeitando o prazo de validade. Outro fator dessa etapa é condição de temperatura ideal, umidade e procedimentos adequados para controle de fungos, vírus e bactérias, impedindo, também, o desenvolvimento e proliferação de outras doenças.

A água potável deve ser utilizada e seu reservatório deve ser revestido por materiais que não prejudiquem sua qualidade, além de não possuir rachaduras ou danos, sendo limpo e respeitando o prazo máximo de seis meses.

O cuidado com o descarte

É determinante separar as lixeiras com identificação conforme o tipo de resíduo, acionamento sem contato manual e alocadas em local fechado distante da área de armazenamento dos alimentos, consequentemente evitando, além de uma possível contaminação cruzada por fungos, vírus e bactérias, como também o surgimento de pragas urbanas como ratos, baratas, moscas etc. É de suma importância o comprometimento dos funcionários com noções de higiene pessoal e materiais de trabalho.

Uniformes devem ser preservados, trocados e limpos, além de não utilizá-los em locais que não sejam o local de exigido. Mãos constantemente higienizadas, unhas curtas, cabelos presos e protegidos, não manipular objetos sem relação com o serviço, falar sem necessidade… são algumas das recomendações do órgão brasileiro que fiscaliza as condições sanitárias de estabelecimentos de todo o Brasil.

São muitas as maneiras corretas para se evitar a contaminação cruzada no ramo alimentício brasileiro e no mundo, tanto em grandes indústrias, quanto em restaurantes e até em casa. É preciso estar atualizado a todas as medidas dos órgãos regularizadores a fim de evitar este tipo de contaminação.

Somente colocando todos estes procedimentos em prática a saúde do consumidor será preservada, fidelizando clientes e evitando problemas por descuidos na hora do preparo de alimentos.